domingo, 18/10/2026

Uma tradição japonesa que celebra a aceitação do tempo através da culinária

O envelhecimento é frequentemente visto como um peso a ser suportado, mas o filósofo Ichiro Kishimi, em seu novo livro “A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos…

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O envelhecimento é frequentemente visto como um peso a ser suportado, mas o filósofo Ichiro Kishimi, em seu novo livro “A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo”, propõe uma perspectiva revigorante. Com um tom provocativo, ele inicia a obra afirmando que “o melhor da vida é descer a ladeira”, desafiando a ideia comum de que a juventude é superior à velhice.

Kishimi, que combina a psicologia com a filosofia, utiliza sua experiência clínica para questionar a relação que as pessoas têm com a passagem do tempo. Em suas sessões de terapia, ele frequentemente pergunta a seus pacientes se desejariam voltar a ter 18 anos, e a resposta predominante é um retumbante “não”. Para Kishimi, a juventude não é o único caminho para a felicidade, e essa reflexão é central em suas propostas sobre o envelhecer.

Adotando os ensinamentos de Alfred Adler, Kishimi critica a cultura da produtividade que permeia nossa sociedade. Ele argumenta que o verdadeiro crescimento pessoal não deve ser medido pela comparação com os outros, mas sim pela capacidade de transformar a própria realidade. “Devemos nos afastar desse sistema de valores”, afirma, sugerindo que o caminho para a maturidade envolve três elementos essenciais: reconhecer seu valor intrínseco, assumir responsabilidade por suas escolhas e evitar o egocentrismo.

Aos 50 anos, Kishimi enfrentou sérios problemas de saúde, incluindo um infarto e uma cirurgia cardíaca. Em seu livro, ele revela o impacto emocional dessas experiências, refletindo sobre a incerteza da vida e a importância de valorizar a existência. “A doença pode ser um ponto de virada”, escreve, enfatizando que estar vivo é uma razão para celebração, tanto para nós quanto para aqueles que nos cercam.

Além de suas reflexões sobre a vida e a morte, Kishimi compartilha suas vivências como cuidador de seu pai, abordando a complexidade desse papel. Ele ensina que o cuidado deve ser exercido sem imposições, sugerindo que os filhos devam ouvir e respeitar as necessidades e desejos dos pais, especialmente em situações delicadas como a demência. “Se conseguirmos nos relacionar com nossos pais como se fosse sempre o primeiro encontro, passaremos a ouvir melhor o que eles têm a dizer”, propõe Kishimi.

Por fim, o autor destaca a relevância de reconhecer nossas limitações e a coragem de admitir que não sabemos tudo. Ele critica a tendência dos mais velhos de se colocarem em um pedestal de sabedoria absoluta, o que muitas vezes afasta os jovens. Com suas lições profundas e inspiradoras, Kishimi nos convida a repensar nossa relação com o envelhecimento, propondo um caminho de aceitação e crescimento contínuo.