A menopausa e sua fase anterior, a perimenopausa, são tópicos frequentemente ignorados na discussão sobre saúde feminina, mesmo sendo experiências universais para todas as mulheres. A médica Heather Hirsch, fundadora da Clínica de Menopausa e Meia-Idade da faculdade de medicina de Harvard, traz à tona essas questões em seu livro “Guia de sobrevivência da menopausa”. A obra se destaca por tornar acessíveis informações científicas, além de apresentar conselhos práticos para enfrentar essa transição tão significativa.
Hirsch explica que sua decisão de se especializar em saúde feminina surgiu da constatação de uma lacuna nos currículos médicos, onde a formação frequentemente se limita à gravidez e ao parto. Ela própria não se deu conta de que já estava na perimenopausa, reconhecendo que muitos de seus sintomas eram os mesmos que suas pacientes relatavam. “Hoje, estamos vivendo um terço de nossas vidas na pós-menopausa, e a forma como lidamos com as mudanças hormonais pode influenciar nossa saúde por décadas”, afirma a especialista.
Um aspecto alarmante é que, enquanto uma em cada oito mulheres pode desenvolver câncer de mama, raramente os sintomas da perimenopausa são considerados por médicos quando mulheres entre 30 e 40 anos buscam ajuda. Hirsch explica que, diferentemente da menopausa, que é diagnosticada após um ano sem menstruação, a perimenopausa é mais difícil de determinar. Os exames hormonais podem dar resultados normais em um dia específico, levando as mulheres a duvidar de suas próprias experiências e atrasando o tratamento.
Ao longo do livro, Hirsch desmistifica várias concepções errôneas sobre a perimenopausa. Entre elas, a ideia de que mulheres mais jovens não podem estar enfrentando sintomas ou que a terapia de reposição hormonal é intrinsecamente perigosa. A autora critica a conclusão de um estudo de 2002 que associou a reposição hormonal ao aumento do risco de câncer de mama, ressaltando que, mesmo com contraindicações, a história pessoal de câncer não deve ser considerada uma barreira absoluta à terapia.
Além de discutir os sintomas, que vão de acne e confusão mental até ondas de calor e ganho de peso, Hirsch também alerta sobre os riscos silenciosos que podem aumentar durante a transição, como a elevação dos níveis de colesterol e a perda de densidade óssea. A saúde sexual, muitas vezes negligenciada, também merece atenção. Ela destaca que fatores externos, como estresse com cuidados familiares e questões financeiras, podem impactar a libido e a qualidade de vida sexual.
Com uma abordagem prática, a autora sugere estratégias para melhorar a vida sexual, como a autoestimulação e o uso de lubrificantes, além de enfatizar a importância do Índice de Função Sexual Feminina, que ajuda a mensurar a saúde sexual em várias dimensões. A mensagem de Hirsch é clara: a menopausa e a perimenopausa não devem ser vistas como um fim, mas como uma fase de transformação que merece ser discutida e compreendida, tanto por mulheres quanto por profissionais de saúde.



