quinta-feira, 22/10/2026

As múltiplas facetas do burnout entre mulheres

Na palestra da psicóloga e escritora Ana Luiza Novis, realizada no Neuro 2026, o foco recaiu sobre um tema cada vez mais relevante: o burnout feminino. Novis destacou que, embora o burnout seja frequentemente…

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Na palestra da psicóloga e escritora Ana Luiza Novis, realizada no Neuro 2026, o foco recaiu sobre um tema cada vez mais relevante: o burnout feminino. Novis destacou que, embora o burnout seja frequentemente associado ao ambiente de trabalho, a realidade das mulheres revela uma sobrecarga que se inicia muito antes da vida profissional. “Precisamos ampliar o olhar sobre esse fenômeno”, disse, sublinhando a importância de considerar as diversas dimensões que contribuem para esse esgotamento.

A dimensão social é uma das mais preocupantes. Novis observou que muitas mulheres enfrentam doenças devido a uma incessante pressão para atender a expectativas que parecem não ter fim, como cuidar da casa, do trabalho e da família, frequentemente sem o devido reconhecimento. “Elas dedicam, em média, 21,3 horas por semana a afazeres domésticos, enquanto os homens se limitam a 11 horas”, apontou, evidenciando a injustiça de gênero que permeia essa questão.

No âmbito institucional, a situação se agrava. As organizações, muitas vezes, não levam em conta as responsabilidades familiares dos colaboradores, criando um ambiente que exige que quem tem filhos ou cuidadores se comporte como se essas responsabilidades não existissem. “A cultura de jornadas prolongadas e metas excessivas, combinada com a falta de reconhecimento, torna o ambiente de trabalho ainda mais tóxico”, afirmou Novis, referindo-se ao assédio moral e sexual que muitas mulheres ainda enfrentam em suas carreiras.

Por fim, na esfera política, a reflexão se torna ainda mais crítica: “Quem cuida de quem cuida?” A prevenção do burnout feminino, segundo Novis, depende de políticas públicas que promovam o cuidado, como a ampliação de creches, licença parental compartilhada e igualdade salarial. “Precisamos criar ambientes de trabalho psicologicamente seguros”, enfatizou, ressaltando que a mudança deve vir de uma compreensão mais ampla das causas do burnout.

Além disso, a palestrante chamou a atenção para a exaustão enfrentada por profissionais da saúde, que operam em condições críticas e frequentemente se veem presas em um ciclo de desempenho insustentável. “Observamos um vício em desempenho que leva pessoas a trabalharem longas horas, enquanto externamente afirmam que está tudo sob controle”, alertou.

Outra questão a ser considerada é a relação entre o burnout e a saúde mental das mulheres. Com dois terços dos pacientes com Doença de Alzheimer sendo mulheres, é vital reconhecer que fatores de risco modificáveis podem prevenir uma quantidade significativa de casos de demência. No Brasil, esses fatores têm o potencial de diminuir até 59,5% das ocorrências, abrangendo desde a educação até condições de saúde como hipertensão e diabetes. A conscientização sobre esses aspectos é essencial para promover uma vida mais saudável e equilibrada.

Crédito da imagem: Afastamentos por burnout crescem mais de 800% em quatro anos