Hoje, um marco significativo se estabelece: o blog Longevidade: modo de usar celebra dez anos de existência. Em sua estreia, em 3 de novembro de 2016, a coluna trazia uma reflexão provocativa sobre a percepção da velhice, questionando por que a idade de 58 anos, por exemplo, ainda é cercada de preconceitos. O tom desse primeiro texto já apontava para uma desafiadora discussão sobre envelhecer, que ainda hoje se revela necessária. Ao longo dessa década, com a publicação de quatro livros dedicados ao tema, a autora se assume como uma voz ativa na luta contra estigmas relacionados à terceira idade.
No contexto da recente palestra da psicóloga Cristiane Novaes, doutora em Saúde Pública e Meio Ambiente, durante o GeriatRio 2026, novos desafios e soluções para o envelhecimento foram discutidos. Novaes destacou a intersecção entre as mudanças climáticas e suas consequências para a população idosa, mas também enfatizou a resiliência como ferramenta essencial para enfrentar as adversidades que surgem com a idade. Para ela, lidar com o estresse crônico é uma questão que demanda não apenas otimismo, mas uma abordagem psicobiológica efetiva.
A psicóloga apresentou uma série de desafios enfrentados por idosos, como o declínio físico e o sentimento de inutilidade, contrapondo-os a estratégias de adaptação que podem promover uma vida mais significativa. A busca por aceitação, a vontade de aprender e a criação de novos significados na vida são alguns dos caminhos sugeridos. Novaes defende que o envelhecimento exige uma constante negociação entre perdas e a adaptação a novas realidades.
Entre as ferramentas que favorecem essa resiliência, destacam-se a tecnologia como forma de combater o isolamento, uma atitude positiva que valoriza as capacidades remanescentes e a espiritualidade, que proporciona propósito e paz em face da finitude. A mensagem que se sobressai é clara: a geração atual de idosos não aceita um papel secundário na sociedade. Assim como foi feito há uma década, o convite à reflexão e ao debate sobre a maturidade se reafirma, com a proposta de construir uma narrativa mais positiva sobre o envelhecer.
Com gratidão, a autora encerra este ciclo de uma década, reafirmando seu compromisso em combater a visão negativa do envelhecimento e convidando todos a se unirem na luta por uma vida plena e digna em todas as idades. O caminho percorrido até aqui é um testemunho de que a velhice pode e deve ser reinventada, e que a discussão sobre maturidade é, sem dúvida, um tema que merece ser explorado coletivamente.


